“ A FLOR E A FONTE ”
“ Deixa-me, fonte! 'Dizia
A flor, tonta de terror.
E a fonte, sonora e friaCantava, levando a flor.
'Deixa-me, deixa-me, fonte!
'Dizia a flor a chorar:
'Eu fui nascida no monte...
'Não me leves para o mar.'
E a fonte, rápida e fria,
Com um sussurro zombador,
Por sobre a areia corria,
Corria levando a flor.
'Ai, balanços do meu galho,
'Balanços do berço meu;
'Ai, claras gotas de orvalho
'Caídas do azul do céu!...'
Chorava a flor, e gemia,
Branca, branca de terror.
E a fonte, sonora e fria,
Rolava, levando a flor.
'Adeus, sombra das ramadas,
'Cantigas do rouxinol;
'Ai, festa das madrugadas,
'Doçuras do pôr-do-sol;
'Carícias das brisas leves
'Que abrem rasgões de luar...
'Fonte, fonte, não me leves,
'Não me leves para o mar!'
*
As correntezas da vida
E os restos do meu amor
Resvalam numa descida
Como a da fonte e da flor...”
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2 comentários:
Ah, esqueci de dizer que fui eu que postei...
Ana,
muito lindo o poema. Me inspirei nele pra colocar o do Leminski.
Bjo
Rabelo
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