ESTOCOLMO (AFP) - Os biocombustíveis, apontados como os substitutos ideais das energias fósseis para reduzir as emissões de CO2, não são a solução para todos os problemas, segundo especialistas, os quais advertem que sua produção exige muita água, um recurso limitado.
"Enquanto os governos e as empresas discutem a solução para os biocombustíveis, acho que devem levar bastante em consideração a questão da água", afirmou à AFP Johan Kuylenstierna, diretor da Semana Mundial da Água.
Segundo o SIWI, em 2050, a quantidade de água necessária para a fabricação de biocombustíveis equivalerá à necessária para que o setor agrícola abasteça da população do planeta.
"Os biocombustíveis não são 'a' solução, e sim 'uma' solução", considerou Kuylenstierna.
Para Sunita Narain, diretora do Centro para a Ciência e o Meio Ambiente da Índia, os biocombustíveis são "uma boa idéia na teoria, má na prática".
Segundo esta especialista influente, a prioridade passa por discutir e solucionar a questão do consumo de combustíveis.
Porque se torna "extremamente idiota" imaginar que será possível no futuro consumir tanto biocombustível como atualmente consumimos combustíveis fósseis, considerou.
"Se quisermos dedicar água (à produção de biocombustíveis), devemos reduzir o consumo de biocombustíveis. Por exemplo, destiná-los aos ônibus e não aos automóveis", explicou.
Além da questão do limite da disponibilidade de água, os especialistas temem que a produção em grande escala dos combustíveis "verdes" provoque um forte aumento dos preços dos produtos alimentícios básicos.
"A produção de biocombustíveis poderá se tornar uma importante competidora da produção de comida. Os preços mundiais dos alimentos poderão aumentar", explica Kuylenstierna.
6 comentários:
Tinha lido opiniões parecidas num boletim eletrônico que eu recebo (acho que é do FSM, não lembro). Procura-se solução pra para a conseqüência de um problema (a poluição e autoaquecimento) e não a sua causa real (nosso ESTRANHÍSSIMO modo de vida de valores e estilos ocidentais). Enquanto nossa vida depender cada vez mais de energia, e a tendência é que essa dependência seja cada vez maior, a humanidade enfrentará esse tipo de dilema. Pra quem quiser ler mais sobre o assunto, o livro Da Ecologia à Autonomia aborda o assunto de forma muito interessante: o livro é uma transcrição de um debate feito no início da década de 1980 entre os teóricos e ativistas ecológicos Cornelius Castoriadis e Daniel Cohn-Bendit. Eu tenho uma cópia do livro e acho que a Rabela tem o livro. Bjs!
Pra variar, esqueci de assinaro comentário acima: Franciele.
Biocombustível
Estava curiosissima para ler e comentar essas reportagens, mas ainda não tinha tido oportunidade...
Tinha essa curiosidade justamente porque esse assunto tem sido muito falado - Brasil parece adiatando - mas nunca tinha me aprofundado.
Lendo esses dois artigos, me lembrei muito de nossa reunião do NES de setembro:
- Como as soluções parecem milagorsas e mirabolantes e na verdade às vezes são "uma das soluções" e não "a solução", como está dito em um dos textos,ao passo que causam mais problemas...
Alguns dos que gostaria de ressaltar são a água e o aumento no preço da comida.
Percebe-se por ai as prioridades do povo.... a energia, se olharmos pelo ângulo do filme "Os Sem Floresta", é uma coisa superfula perto da água e comida - MAIS QUE BÁSICAS
- Outra coisa é a necessidade e importância da gente (ONG) que trabalha a questão Socioambiental temos de estar por dentro dessas questões polemicas de modo não ingênuo.
Concordo com a Fran... nunca se pensa na causa... e, de certa forma, é nisso que queremos atuar, afinal nossa missão é contribuir para um modo de vida....
Para isso é importante estarmos sempre "ligados", lendo, se informando...
Por enquanto é isso... Tá aí meu recado... Vamos ficar atentos para não sermos picaretas!
Beijos
Ah, fui eu... Ana Carolina
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